Sandoval Wanderley “deixa de ser” Patrimônio Cultural e será destruído


Teatro Sandoval Wanderley, localizado no bairro do Alecrim

Grupo empresarial vai usar a área do equipamento, que está interditado desde 2009, para construir shopping; expectativa é de que 280 lojas surjam e propiciem 2 mil vagas de emprego

O Plenário da Câmara Municipal de Natal aprovou, na sessão ordinária desta terça-feira, 12,, um veto integral ao Projeto de Lei nº117/2017, de autoria do vereador Fernando Lucena (PT), subscrito pela vereadora Natália Bonavides (PT) e pelo vereador Klaus Araújo (SD), que declara Patrimônio Cultural Imaterial da cidade de Natal o Teatro Municipal Sandoval Wanderley. Foram 12 votos a favor, 6 contra e 4 abstenções.

Localizado no bairro do Alecrim, na Avenida Presidente Bandeira, o Sandoval Wanderley é um teatro de de arena com capacidade para 150 espectadores. É referência de divulgação e cumpre um papel importante na cena cultural da cidade. Foi o segundo a ser construído na capital, em 1962, e leva o nome do ator assuense Sandoval Wanderley, que criou os grupos Conjunto Teatral Potiguar, em 1941, e o Teatro de Amadores de Natal, em 1951.

“Hoje é um dia de luto para a cultura popular do Rio Grande Norte. Infelizmente, a bancada governista enterrou sem choro e sem vela a história do Teatro Sandoval Wanderley. Porque ao declarar Patrimônio Cultural Imaterial a gente queria impedir que o ‘Teatrinho do Povo’ fosse destruído, haja vista que a intenção do prefeito Carlos Eduardo Alves é acabar mesmo”, criticou o vereador Fernando Lucena.

Segundo ele, com a paralisação dos teatros Sandoval Wanderley e Alberto Maranhão, os movimentos artísticos populares ficam sem espaço para apresentar os seus trabalhos. “Resta apenas o Teatro Riachuelo, mas esse é um teatro de shopping: caro, requintado e elitizado. Grupos teatrais de escolas públicas, emboladores de coco, cantores locais, entre outros, não tem acesso fácil. Outra coisa, embarcar na promessa de que vão construir um novo teatro na Ribeira em substituição ao Sandoval Wanderley é a mesma coisa que acreditar em papai noel”, acrescentou.

Por sua vez, a líder da base governista, vereadora Nina Souza (PEN), falou que o projeto que declarou o Sandoval Wanderley como Patrimônio Cultural e Imaterial foi votado sem um debate aprofundado. “Como entrou na ordem do dia 20 de junho em regime de urgência, a instrução do processo não foi observada da forma correta. Existe uma lei municipal que determina o encaminhamento à Funcarte de todas as matérias que versam sobre Patrimônio Imaterial para serem submetidos ao Conselho de Cultura. O veto aconteceu porque a tramitação do texto foi equivocada, fizemos apenas uma correção”, explicou a parlamentar.

Demolição

Em maio, a Secretaria Municipal de Cultura de Natal (Secult) confirmou que o Grupo 25, entidade empresarial que irá construir um novo shopping na região, irá derrubar o prédio que representa cerca de 10% do terreno adquirido onde serão realizadas as obras. No entanto, a pasta afirma que a intenção da Prefeitura é mover o Teatro, que está interditado desde 2009, para um prédio federal, localizado na Ribeira, onde passará a contar com uma estrutura renovada que atenderá à população e artistas do bairro mais cultural da cidade.

As obras do Outlet 25 têm previsão para serem iniciadas no segundo semestre deste ano com conclusão pensada para o final de 2018. A expectativa é de que 280 lojas surjam dentro do shopping, possibilitando a geração de 2000 novos empregos no bairro mais comercial de Natal, e garantindo um maior fluxo no local. Entre as lojas que farão parte deste novo empreendimento, algumas já estão confirmadas, como a Hering, Taco, Sacolão, Ótica Diniz e a loja de departamentos Rio Center. A quantidade de vagas no estacionamento será de 800 a 1000.

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