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'Quero ver meu avanço a cada ano', diz garoto de 13 anos que fez Enem em Natal


Somente ao verem o cartão de inscrição de Phillip Anderson Silva Avelino no Enem 2017, os colegas de escola acreditaram que ele faria as provas deste domingo (5). Desafio comum para jovens concluintes do Ensino Médio brasileiro, além de adultos das mais variadas idades que buscam ingressar na universidade, o exame parecia distante para a turma do 8º ano do Ensino Fundamental de uma escola particular em Natal. Ainda faltam quatro anos para eles concluírem o ensino básico e fazer o Enem para concorrer a uma vaga em universidades públicas do país, pelo Sisu.

Aos 13 anos, Phillip se inscreveu como 'treineiro' e conseguiu acertar mais da metade das questões no primeiro dia de provas, embora ainda não tenha visto grande parte dos conteúdos cobrados. A ideia partiu dele mesmo, quando ainda era mais novo, mas somente em 2017 seus pais permitiram que ele tentasse fazer a prova. "Desde os meus 10 anos, eu vinha pedindo pra fazer. Mas eles não queriam, porque achavam que eu ia chegar na prova, não ia me dar bem e iria me frustrar. Eu sou muito competitivo", diz o garoto.

Neste ano, ao ver a notícia sobre a abertura das inscrições, ele entrou no site e realizou o cadastro sozinho, levando o boleto ao pai, que o surpreendeu com o pagamento. "Eu não esperava", diz o menino.

Procurado pelo G1, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela realização das provas do Enem, não confirmou se Phillip foi o mais novo inscrito na edição de 2017.

O objetivo dele era conhecer a prova e "desenvolver uma técnica", mas Phillip já estabeleceu algumas metas: quer fazer o Enem pelos próximos quatro anos, melhorar o desempenho a cada nova edição e se preparar para disputar uma vaga de Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). "Quero ver meu avanço a cada ano e observar onde estou errando", revela.

Mas o sonho pode se transformar em algo ainda maior, como estudar na famosa universidade de Havard, nos Estados Unidos. A tia dele, que é médica urologista, é uma das principais incentivadoras nesse sentido.


A mãe de Phillip, a enfermeira Kirley Avelino, considera que ainda existe muito tempo pela frente, para ele poder definir seus planos. Mas ela não deixa de demonstrar orgulho pelo filho. "Primeiro fiquei com medo de ele se frustrar. Depois, incentivei. Agora, vamos administrando essa ansiedade e essa ambição dele", pondera.

O pai, o cirurgião dentista Mário Avelino, conta que a família fez um esforço para colocar o filho em uma escola melhor, ao perceber que ele estava se destacando entre os colegas na antiga escola. "A gente fica feliz em ver como ele está usando bem essa capacidade. Ele é um menino normal, que gosta de praticar esportes, gosta de desafios. Ele nem estuda tanto, mas assimila tudo muito bem", pontua.

Prova

Neste domingo, o garoto acordou mais cedo do que precisava. Ele considera que ficou mais nervoso do que esperava. Ao chegar no local de prova, conta que ficou surpreso ao ver pessoas muito mais velhas que ele. "Era uma sala em que cabia umas 80 pessoas, muitas com mais de 30 anos. Ficaram todos olhando para mim. Acho que estavam se perguntando o que eu estava fazendo lá", diz. "Mas quando a prova começou, esqueceram de mim", brinca.

Apesar de ainda não ter visto muito dos conteúdos cobrados pelo Enem, ele acertou 46 das 90 questões envolvendo prova de linguagens e ciências humanas, conforme consultas a gabaritos divulgados após a prova. O gabarito oficial, porém, só deve ser divulgado no próximo dia 16.


Phillip conta que se preparou por meio de vídeo-aulas. Neste domingo, fez a prova com tranquilidade e conseguiu terminar antes da expiração das 5 horas e 30 minutos de prazo. Apesar de considerar o tema da redação difícil, diz que gostou do texto que entregou e acha que fez um bom trabalho. Apontou na argumentação, por exemplo, a própria iniciativa do Enem em realizar provas com condições adequadas para os deficientes auditivos - informação desconhecida por muitos dos candidatos inscritos.

Sobre as provas do próximo domingo (12), que envolvem conhecimento de matemática, física, química e biologia, ele afirma que não sabe como vai se sair, especialmente por nunca ter estudado física ou química por exemplo. "Mas é claro que dá para fazer algumas questões, porque nem todas são de nível difícil", conclui.

A iniciativa do garoto serviu de incentivo para alguns dos colegas da turma do 8º ano, que já pensam em fazer o Enem em 2018, como treineiros.

Deu no G1 RN

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