Hepatites virais crescem 20% no país em 10 anos


Dados do boletim epidemiológico que o Ministério da Saúde divulga hoje mostram que o número total de casos de hepatites virais no país aumentou 20% nos últimos dez anos. As notificações pularam de 35.370, em 2008, para 42.383, em 2018.

A alta nas taxas, dizem especialistas, se deve ao aumento nos diagnósticos, sobretudo de hepatite C, tipo da doença que, por não apresentar sintomas, é de difícil detecção. Desde 2011, no entanto, o Ministério da Saúde distribui para os estados e municípios testes rápidos de hepatite B e C .

O próprio governo estima que 500 mil brasileiros estejam infectados atualmente pelo vírus do tipo C sem saber. Há dois anos, o país assumiu com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o compromisso de eliminar a hepatite C até 2030 .

Segundo Lia Lewis, chefe do Ambulatório de Hepatites Virais do Instituto Oswaldo Cruz, quanto maior o número de diagnósticos, maiores as chances de eliminar o vírus.

— Antes, os testes eram feitos apenas por indicação para determinados grupos de risco. Agora, já é pedido em exames de rotina. Mas as nossas notificações ainda são baixas, precisamos procurar mais — diz a médica e pesquisadora.

Ainda segundo informações do boletim, 70.671 brasileiros morreram de 2000 a 2017 de causas associadas à hepatite, sendo 76% dos óbitos relacionados ao tipo C, o mais letal e para o qual não existe vacinação.

— O tempo entre a infecção e o surgimento de um sintoma, como uma cirrose, por exemplo, é, em média, de 20 a 25 anos. É por isso que a principal causa de transplantes de fígado agora é em decorrência da hepatite C — explica Celso Granato, infectologista do Grupo Fleury.

Tratamento via SUS

Junto com o raio-X da doença pelo país, o ministério anunciou ainda ter como meta ampliar o tratamento da hepatite C via SUS para 50 mil pessoas em 2019 — no ano passado, 24 mil receberam os remédios.

Atualmente, o tratamento contra hepatite C é feito a partir da combinação de remédios, que são tomados uma vez ao dia durante um período que pode variar de três a seis meses, dependendo do paciente.

Segundo o governo, o tratamento, que já custou ao SUS cerca de US$ 10 mil por paciente, agora sairá por US$ 1.232,81 cada ciclo.

Ao menos dois medicamentos utilizados na terapia contra a hepatite C são alvos de disputas por quebra de patentes para a produção de genéricos, com o objetivo de baratear os preços: o sofosbuvir e o daclatasvir, fabricados, respectivamente, pela Gilead e pela Bristol-Myers Squibb (BMS).

Para Pedro Villardi, coordenador do Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual, a estratégia anunciada pelo governo peca por não insistir na quebra dessas patentes.

— Para nós, atingir o acesso universal ao tratamento passa necessariamente pela quebra de patentes dos antivirais de ação direta e consolidação de um mercado em que exista concorrência — afirmou.

Procurado, o Ministério da Saúde não respondeu aos pedidos da reportagem.

*fonte:O Globo

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